Turismo no Vale do São Francisco

Turismo no Vale do São Francisco: O que fazer em Petrolina e Juazeiro

O Vale do São Francisco oferece aos seus visitantes muito mais do que oportunidades de negócio. É um excelente destino turístico, com opções em ecoturismo, enoturismo, etnoturismo, turismo de eventos, de aventura, gastronômico e educacional. A seguir, veja uma lista de atrações turísticas mais convidativas de toda a região.

Ilhas do Rio São Francisco

Localizadas entre Petrolina e Juazeiro, as ilhas do Velho Chico são passeios de pura contemplação da natureza. A mais conhecida é a Ilha do Fogo, cortada pela Ponte Presidente Dutra.

O acesso a ela deve ser feito a pé ou de bicicleta. Os moradores da região costumam visitá-la para prática esportiva e também é bastante familiar. Não há opções alimentícias.

Considerada o maior balneário da cidade, vem a Ilha do Rodeadouro. Com diversos bares nas suas margens, dá para saborear desde pequenos petiscos no melhor estilo comida de rua até peixes assados na bananeira. Um ícone gastronômico de lá é o ‘Maracari’ (Restaurante Cabana Coisa d’Água), um creme feito com caldo e pedaços do peixe Cari e servido na casca do macarujá. 

É comum proprietários de lanchas passarem por lá; e alguns moradores disponibilizam chalés para quem quiser passar a noite com conforto. Aos fins de semana, os frequentadores podem curtir música ao vivo durante o dia. A partir dos dois municípios, há travessias com barquinhas cujo custo de ida e volta fica em R$ 4.

A Ilha do Massangano, quase do lado do Rodeadouro, é um espetáculo à parte. Ela é casa do grupo Samba de Véio, uma manifestação popular de tradição oral, com características lúdicas e religiosas, praticada por alguns moradores. A origem do folguedo remonta há mais ou menos 120 anos e vai seguindo de geração em geração.


 Samba de Veio, manifestação popular centenária com origem na nossa Ilha do Massangano, tem movimento, cor e voz de mulher. O tom rasgado da música conta histórias do dia a dia e flui entre saias rodadas e floridas, compassos e umbigadas. Uma joia feminina, um orgulho do nosso Vale! Foto: Karen Lima.

A melhor época para visitá-la é durante o período junino, mais precisamente dia 13 de junho. Neste dia, a comunidade celebra o dia de seu padroeiro: Santo Antônio, com procissão, celebração religiosa, um jantar com comidas típicas totalmente gratuito e, ao final, apresentações artísticas. Durante o resto do ano, é um ótimo local para acampar.

Balneário das Pedrinhas & Serrote do Urubu

Quer comer um bom peixe na brasa num local tranquilo? A melhor recomendação é ir até o Balneário das Pedrinhas, uma vila de pescadores localizada a 34 km do centro de Petrolina.

Por valores justos, você saboreia tambaqui, dourado, tucunaré, tilápia, cari e até surubim e ainda aproveita a bela vista para o Velho Chico. Na volta, passe pelo Serrote do Urubu – uma formação rochosa de 400m de altitude facilmente acessível com um bom tênis.

De lá, vê-se uma lindíssima paisagem composta por ilhas, plantações, rochas, além da curva do rio e a cidade de Petrolina. O local é querido por praticantes de esportes fotógrafos para ensaios estilo “pre-wedding”. O por do sol é inesquecível.

Enoturismo pelas vinícolas

vinicolas vale do são francisco
O Vale produz 4 milhões de litros de vinhos finos por ano. Foto: VSB

A partir de Petrolina e Juazeiro, os visitantes podem contratar diversos passeios enoturísticos. Nos municípios de Casa Nova e Curaçá, na Bahia; e Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, em Pernambuco, estão localizadas as 5 vinícolas que produzem vinhos finos na região e recebem visitantes.  Para mais detalhes, acesse esta matéria sobre as Vinícolas do Vale do São Francisco. 

Turismo educacional pela Caatinga

Quer conhecer de perto a fauna e a flora da caatinga? A Trilha da Caatinga da Embrapa Semiárido tem um percurso de 300 metros dentro de uma área de 11 hectares de mata preservada.

Ao longo dessa caminhada, placas indicativas informam os nomes científicos e populares de cerca de 30 espécies do bioma local. O caminho é entrecortado por seis estações: Facheiro, Faveleira, Umbuzeiro, Baraúna, Umburana de cambão e Pau Ferro, identificados por árvores representativas da Caatinga. A visita pode ser agendada através do site www.cpatsa.embrapa.br. 

A Trilha Ecológica do IF-Sertão também é inclusiva. Foto: Ascom/IF-Sertão.

Outra trilha interessante pela caatinga é disponibilizada pelo campus Petrolina Zona Rural, do IF-Sertão. O objetivo, segundo professores e estudantes envolvidos no projeto, é promover conhecimento e sensibilizar os nativos a fazerem uso sustentável da flora nativa.

Ao longo de 800 metros, é possível ver e reconhecer mais de 20 espécies de plantas exclusivas da caatinga, como a faveleira, a catingueira e o mulungu. Algumas delas, inclusive ameaçadas de extinção; a exemplo do umbuzeiro.

O visitante inicia seu percurso em uma área degradada em processo de recuperação natural, onde são mostradas as consequências da exploração. Em seguida, o trilheiro passa por um trecho de vegetação recuperada e finaliza a rota pela mata fechada. Agendamentos: trilhaecologicaIF@hotmail.com, com grupos de até 20 pessoas. Duração: 90 minutos. 

Outra dica é o Museu da Fauna, localizado no Campus Ciências Agrárias da Universidade Federal do Vale do São Francisco. O local proporciona  palestras educativas e é possível conhecer todo o acervo disponibilizado na ala de exposição do Museu, que inclui animais típicos da caatinga taxidermizados, e instalações com vídeos, fotos, mapas e conteúdos sobre o trabalho desenvolvido pelo Cemafauna em favor da natureza. 

Além disso, há demonstração da técnica de falcoaria para a reabilitação das aves de rapina. Para mais informações, acesse www.cemafauna.univasf.edu.br.

Uma opção adorada pelas crianças é o Parque Zoobotânico da Caatinga, localizado no 72º Batalhão de Infantaria Motorizado do Exército (72º BIMtz), em Petrolina (PE).

Numa área de 10.000 m², o Parque abriga 120 animais, entre eles, serpentes, jacarés, tartarugas, caititus, o carcará, a asa branca… Tudo em um ambiente amplo, confortável, seguro e bem sinalizado.

O Parque é aberto para visitantes de todas as idades e a entrada é gratuita. Dependendo do tamanho do grupo, conforme a necessidade e disponibilidade, a visita poderá ser acompanhada por especialistas do exército.

Os agendamentos podem ser realizados pelo telefone (87) 3864-1600 e as visitas podem ocorrer de terça-feira a domingo, das 8h às 17h. O Parque fica localizado na Avenida Cardoso de Sá, s/n, Vila Eduardo

Artesanato

Fotos: Evaldo Parreira.

Quem gosta de desvendar novos destinos através do artesanato deve fazer duas paradas em Petrolina. A primeira é no Centro de Cultura Ana Das Carrancas, um memorial fundado em 1995 com a obra da artesã Ana Leopoldina – falecida em 2008 e conhecida como “Ana das Carrancas”.

Seu legado está eternizado na história da arte brasileira pela produção de carrancas zoomórficas (mistura de animal e homem) usando barro e com características únicas: olhos vazados, em tributo ao marido cego.

Ana das Carrancas é conhecida, ainda, como Dama dos Barros; e recebeu títulos importantes, como Patrimônio Vivo de Pernambuco – 2006, Prêmio Top of Mind Brazil – 2006, Ordem do Mérito Cultural – 2005 e Título de Cidadã Petrolinense – 2000.

O endereço é na BR 407, próximo à Feira da Cohab Massangano. Para agendar, ligue (87) 3031-4399 de segunda a sábado das 8h às 12h; 14h às 18h. Ou mande email para anadascarrancas@bol.com.br.

Outro local especial é a Oficina do Artesão Mestre Quincas. O equipamento recebeu este nome em homenagem a Joaquim Correia Lima, apelidado de Mestre Quincas, considerado o primeiro artesão de Petrolina.

Fundada em 1989 por 40 artesãos, concentra o trabalho de inúmeros artistas da região; possui um espaço para exposição e venda de produtos e áreas para a produção do artesanato, abertas aos visitantes.

O funcionamento é das 8h às 18h e a qualquer hora do dia tem gente esculpindo, pintando ou bordando. O endereço é na Av. Cardoso de Sá, s/n, Vila Eduardo. A visitação aos domingos é a única que requer agendamento pelos telefones (87) 3864-2069 e 3864-6916.

Turismo de Gastronomia

O Bodódromo se tornou conhecido nacionalmente como um complexo gastronômico dedicado exclusivamente à carne de bode e carneiro, e ao artesanato regional. Hoje, em seus quase 3.000 m² dentro do bairro Areia Branca, seus restaurantes e quiosques têm temas diversos. Para seguir a tradição local, vá direto aos estabelecimentos que servem carne caprina ou ovina. 

Peça o carneiro assado no Bodódromo para experiência clássica no completo gastronômico. Foto: Monjopina.

O prato campeão de pedidos é o carneiro assado, que vem acompanhado de feijão verde, arroz branco, pirão, vinagrete, macaxeira (mandioca/aipim) frito, além de um purê feito com a raiz.

Mas os cardápios são extensos e oferecem outras formas de se consumir a carne caprina, como casquinha e em formato de kafta, por exemplo. Você também pode consumir outras proteínas, como a carne de sol com queijo coalho. Às segundas e quartas, alguns fazem pirão de carneiro e servem o prato com a carne guisada.

Para um café da manhã ou brunch bem sertanejo – que dá “sustança” – a pedida é o Café de Fazenda. São mais de 60 opções: de tapiocas, cuscuz e munguzá doce até buchada, sarapatel e bode guisado. Às 11h, servem feijoada e baião de dois, também conhecido como rubacão. O valor é R$ 35 por pessoa e a casa fica na R. Cel. José Rabêlo Padilha, 2815, próximo à Orla de Petrolina. 

Se o desejo é provar a gastronomia de raiz do Sertão, a pedida é o Restaurante Flor de Mandacaru. Localizado no bairro Cohab 6, a casa chefiada pela Juci Melo possui uma decoração cheia de mimos e penduricalhos, e aposta num cardápio repleto itens típicos regionais.

Moqueca de Cari do restaurante Flor de Mandacaru

Entre eles, estão preparos com cari e surubim, peixes endêmicos do Velho Chico; a paçoca de carne de sol, o sorvete de rapadura e várias criações a partir de plantas alimentícias não-convencionais, como coroa de frade e palma.

Roteiro Junino

O mês de Junho é bastante movimentado no Sertão. Além do tempo mais ameno, há diversos eventos populares e shows. O primeiro, já citado, é a Festa de Santo Antônio, santo padroeiro da Ilha do Massangano.

Turismo no Vale do São Francisco - Festa de Santo Antônio na Ilha do Massangano
Festa de Santo Antônio na Ilha do Massangano. Foto: Paula Theotonio

Por volta do dia 13 também acontece, durante três dias, a tradicional Jecana Oficial do Brasil do povoado do Capim, na Zona Rural; além do concurso de sanfoneiro da Rádio Rural FM e competições de quadrilhas juninas. Nesta época, começam eventos de São João nos bairros, com shows e quermesses; e segunda metade do mês, inicia o São João de Petrolina.

Turismo no Vale do São Francisco
Concurso de Quadrilhas de Petrolina. Foto: Paula Martins
Concurso de Sanfoneiros na Concha Acústica. Fotos: Paula Theotonio
Turismo no Vale do São Francisco
Pega de boi no mato com vaqueiros. Foto: Paula Martins

Encerrando o circuito, acontece o Forró da Espora – festa dos vaqueiros e aboiadores do sertão. O evento segue pela madrugada e logo pela manhã, os participantes usando a indumentária tomam um café da manhã coletivo e seguem de cavalo até a Orla de Petrolina – onde acontece a emocionante Missa do Vaqueiro.

A cerimônia segue os moldes da realizada anualmente no município de Serrita/PE, tradição cuja origem se deu em 1971 após o assassinato de um vaqueiro – primo do cantor Luiz Gonzaga. A música Morte do Vaqueiro é símbolo desta tradição.

Ecoturismo & Turismo de Aventura

Os aventureiros encontraram na caatinga o desafio perfeito: pouca oferta de água na mata fechada, vegetação agressiva, sol castigante – mas um lindo e refrescante rio, que oferece paisagens de tirar o fôlego. Devido a isso, tem crescido nos últimos anos a procura por esportes e práticas de aventura e ecoturismo. 

  • Para quem deseja fazer rapel e tirolesa, a empresa responsável é a Sertão Adventure – (87) 98804-0660 / (87) 988042157. 
  • Se você prefere passear de caiaque pelo Rio São Francisco, pode procurar a ArcaSport, em Juazeiro (BA) – (74) 9 8805 7856.
  • Aulas de kitesurf, realizadas no segundo semestre, podem ser contratadas com Mateus (87) 9 9951 4884 ou com Tiago (87) 9 9990 1773.

Há, ainda, passeios para a Cachoeira do Salitre / Gameleira – a cerca de 65km do centro de Juazeiro. O local é referenciado por estes dois nomes porque a cachoeira está na bacia do Rio Salitre, um dos afluentes do Rio São Francisco; e possui uma árvore Gameleira, que abriga os turistas após uma rápida caminhada e para lanches rápidos. De lá, o ecoturista pode seguir para Gruta do Sumidouro, que fica no município de Campo Formoso, na Bahia. 

Foto: Paula Theotonio

Antes de chegar, você é recebido por um bosque tropical, de árvores frondosas que formam passarelas e caminhos, além de um riachinho. De repente, a gruta se abre e lá estão as estalagmites e estalactites. Um riacho, penetra na quase caverna – formando lindas visões espelhadas das formações rochosas.

Para tours até a região, consulte o De Petrolina Para O Mundo

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